Revolta é inteligência

“O Rap é uma militância” foi uma das declarações proferidas pelo convidado Emanuel Castelo Branco na última quinta-feira, dia 18 de março, durante mais um encontro virtual da Oficina de Música e Literatura do Projeto Ciranda Cultural.


Residente em Muriaé - MG, mas nascido em São Luiz, Maranhão, terra natal de escritores consagrados como Josué Montello e Ferreira Gullar, Emanuel vem traçando um caminho visceral na cena independente muriaeense que vai desde o posto de vocalista na banda de blues-punk "Sonora Bleach", passando pelo grupo de rap Tarja Preta, no qual foi mc em parceria com o também mc Juca De La Veiga. Atualmente, além das produções audiovisuais, se dedica a dois projetos: Ataback atack, que se propõe a experimentar o rap com ritmos de raiz como maracatu, axé, nayambing e ritmos afros religiosos e, o Manifesto AntiHype. Projeto solo que se constitui em uma proposta estética e musical agressiva, mesclando elementos da contra-cultura punk, thrash/death metal com rap old school.


Emanuel, ao longo do encontro, conversou com os participantes da Oficina acerca de sua produção cultural (fundador da Casca Grossa produções e participante ativo na já histórica Batalha do Coreto de Muriaé - MG) e musical e em formas de se pensar a arte como uma possibilidade de mobilização social, arte como ferramenta para construção de espaços de confronto e maneiras de romper os muros do status quo. Perspectivas estas presentes na canção Tipo Traça, primeira música apresentada aos integrantes da Oficina, “Traço meu texto pra burguês da vizinhança pifar o marcapasso/Ocupação de espaço, real sobrevivência/Várias bancas se formando, vários corres, vários planos/Sistema sofrendo o dano, vários porres, várias tretas/Rap de resistência, negando obediência, sem bater continência/Revolta é inteligência”


Agradecemos a presença de Emanuel Castelo Branco e ressaltamos ainda que artistas e movimentos culturais da cidade só têm a ganhar com a construção de espaços como as oficinas oferecidas pelo Projeto Ciranda Cultural, já que elas voltam seus holofotes para a produção artística jovem da cidade. Arte salva!